Numismática

   Ciência que se dedica ao estudo de moedas e medalhas. É assim que a maioria dos dicionários define a Numismática. Na prática, o Numismata é mais do que um estudioso. É um apaixonado pelo patrimônio cultural, artístico e histórico cunhado através dos séculos. Paixão que muitas vezes também se expressa através de coleções, seja por hobbie ou investimento.

 

   Graças à Numismática, é possível analisar a moeda como um documento histórico capaz de fornecer informações sobre as origens de um país, o povo que a cunhou, religião, governo, idioma, economia, tradições e outros dados importantes da história da humanidade. Seja pela cultura, pela observância de técnicas ou simplesmente pelo desafio de colecionar, a relação entre cultura e numismática é sempre presente. Mesmo aqueles que colecionam moedas ou cédulas como um simples hobbie, sem se dedicar à pesquisa, adquirem uma boa bagagem de cultura geral.

 

   Os primeiros registros da prática de colecionar moedas apontam para o Império Romano. Imperadores como Augusto disseminaram o hábito que chegou até os reis europeus, na Idade Média. Mas foi durante o Renascimento, quando humanistas resolveram recuperar a cultura greco-romana e organizar coleções reais como as de Luis XIV, rei da França, e Maximiliano, do Sacro Império, que a Numismática surgiu como ciência e a moeda se consolidou como objeto de estudo e fonte de pesquisa até os dias atuais.

 

   O modelo europeu de colecionar moedas chegou ao Brasil no século XIX, por forte influência da aristocracia, a classe mais instruída e abastada, além do imperador Dom Pedro II e seu neto, Dom Pedro Augusto de Saxe-Coburgo e Bragança, um grande numismata. Com o fim do Império, grande parte do acervo numismático brasileiro passou muito tempo restrito a museus e pesquisadores, especialmente no eixo Rio de Janeiro e São Paulo. Dentre eles, merecem destaque nomes como Augusto de Souza Lobo, Kurt Prober, Renato Berbert de Castro e, o mais importante, Julius Meili, considerado o precursor da Numismática no Brasil.

 

   Hoje, graças ao esforço de algumas Sociedades Numismáticas e de iniciativas privadas como a Schindler Numismática e o Banco Moeda, essa ciência vem ganhando cada vez mais espaço e adeptos.

 

   Oficialmente, o dia 1o de dezembro foi escolhido pela Sociedade Numismática Brasileira como o Dia do Numismata, em razão da coroação de D. Pedro I como Imperador do Brasil, nesta mesma data no ano de 1822. Na ocasião, foi lançada a primeira moeda do novo regime: 6.400 réis em ouro, conhecida como Peça da Coroação, uma das mais raras e caras moedas brasileiras e a primeira genuinamente nacional, do Brasil independente. No dia 1o de dezembro também é comemorado, segundo o calendário católico, o dia  Santo Elói (ou Elígio), Padroeiro dos Numismatas.

 

 

 

Moedas no Brasil

 

   A história do Brasil é repleta de grandes revoluções, manifestações culturais e personagens ilustres. E cada capítulo desta rica trajetória pode ser contado através da criação, produção e circulação de suas moedas.

 

   Nos primeiros anos após o descobrimento, ainda não havia circulação monetária em terras brasileiras. As atividades comerciais eram realizadas através do escambo, ou seja, troca direta do produto por outras mercadorias. Apenas mais tarde, com a ocupação das terras e o desenvolvimento das atividades agrícolas, quando se solidifica o processo de povoação e colonização, é que a espécie metálica veio de fato a circular.

 

    Em 1568, o rei D. Sebastião determinou que suas moedas corressem na terra descoberta, passando o sistema de circulação a ter valor oficial de integração da América portuguesa ao império. O numário era constituído por peças de ouro, prata e cobre, cunhadas em Portugal ao longo de vários reinados e trazidas pelos primeiros colonos. A unidade monetária era o real que, com a redução gradativa de seu poder de compra, ensejou a cunhagem de seus múltiplos, os reais, que o povo, por facilidade de pronúncia, chamava de réis.


   Àquelas moedas se juntaram, mais tarde, quando da união das coroas de Portugal e Espanha (1580-1640), as de prata, espanholas; e a proximidade das colônias hispânicas na América ensejou ainda a introdução da moeda hispano-americana de prata que, com o numerário português, circulou no Brasil por mais de 200 anos. Além dessas, houve ainda, em razão das invasões francesas e holandesas, o curso forçado de moedas desses países, avaliadas por seu peso em ouro e prata.


   Em 1640, Portugal livra-se do jugo espanhol e, três anos depois, o rei D. João IV, na tentativa de uniformizar o meio circulante na colônia brasileira, ordena que as moedas portuguesas e hispano-americanas recebam um carimbo, ou contramarca, indicativo de valor mais elevado, cingido pela coroa real. Esse sinal ficou conhecido como carimbo coroado.

 

   A primeira moeda a conter o nome Brasil foi cunhada no Recife por holandeses no período da nossa história conhecido como Domínio Holandês. Além desse mérito os holandeses também são os responsáveis pela cunhagem da primeira medalha com o mesmo termo datada de 1640 e pela emissão de ordens de pagamento e vales, ainda inéditos, que entraram  no meio circulante da região.


   Com a expulsão dos holandeses, a situação de falta de moeda levou o Governo Português a criar, em 1695, a primeira Casa da Moeda do Brasil, na Bahia, que cunhou uma série de moedas de ouro, nos valores de 1000, 2000 e 4000 réis, e de prata, de 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis. Após esse importante avanço, foram criadas Casas de Moeda em Pernambuco, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Cuiabá, Goiás e São Paulo.

 

   Em 7 de setembro de 1822 o príncipe regente proclama a independência do Brasil e lança a primeira moeda do novo regime, o 6400 réis. Com apenas 64 exemplares cunhados, ela ficou conhecida como “Peça da Coroação”, a mais importante e cobiçada da coleção brasileira.

 

 

 

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1500 - Tostão

Ao chegar ao Brasil, os portugueses encontram cerca de 3 milhões de índios vivendo em economia de subsistência. Já os colonizadores usam moedas de cobre e ouro, que têm diversos nomes de acordo com a origem: tostão, português, cruzado, vintém e são-vicente.

 

Século 16 - Jimbo e réis

A pequena concha era usada como moeda no Congo e em Angola. Chegando ao Brasil, os escravos a encontram no litoral da Bahia e mantêm a tradição. Desde o descobrimento, porém, a moeda mais usada é o real português, mais conhecido em seu plural “réis”, que valeu até 1942.

 

1614 - Açúcar

Por ordem do governador do Rio de Janeiro, Constantino Menelau, o açúcar é aceito como moeda oficial no Brasil. De acordo com a lei, comerciantes eram obrigados a aceitar o produto para pagar compras.

 

1695 - Cara e coroa

A Casa da Moeda do Brasil, inaugurada na Bahia um ano antes, cunha suas primeiras moedas de ouro. Em 1727, surgem as primeiras moedas brasileiras com a figura do governante de um lado e as armas do reino do outro, conforme a tradição européia. Os termos “cara” e “coroa” vêm daí.

 

1942 - Cruzeiro

Na primeira troca de moeda do Brasil, os réis são substituídos pelo cruzeiro durante o governo de Getúlio Vargas. Mil réis passam a valer 1 cruzeiro; é o primeiro corte de três zeros da história monetária do país. É aí que surge também o centavo.

 

1967 - Cruzeiro novo

O cruzeiro novo é criado para substituir o cruzeiro, que levou outro corte de três zeros. Mais uma vez, isso ocorre por causa da desvalorização da moeda. Para adaptar as antigas cédulas que estavam em circulação, o governo manda carimbá-las.

 

1970 - Cruzeiro

A moeda troca de nome e volta a se chamar cruzeiro. Dessa vez, porém, só muda o nome, mas não o valor. Ou seja, 1 cruzeiro novo vale 1 cruzeiro.

 

1986 - Cruzado

Por causa da inflação, que alcança 200% ao ano, o governo de José Sarney lança o cruzado. Mil cruzeiros passam a valer 1 cruzado em fevereiro deste ano. No fim do ano, os preços seriam congelados, assim como os salários dos brasileiros.

 

1989 - Cruzado novo

Por causa de inflação de 1000% ao ano, ocorre uma nova troca de moeda. O cruzado perde três zeros e vira cruzado novo. A mudança é decorrência de um plano econômico chamado Plano Verão, elaborado pelo então ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega.

 

1990 - Cruzeiro

O cruzado novo volta a se chamar cruzeiro, durante o governo de Fernando Collor de Mello. O mesmo plano econômico decreta o bloqueio das cadernetas de poupança e das contas correntes de todos os cidadãos brasileiros por 18 meses.

 

1993 - Cruzeiro real

No governo de Itamar Franco, com Fernando Henrique Cardoso como ministro da Fazenda, o cruzeiro sofre outro corte de três zeros e vira cruzeiro real. No fim do ano, o ministro cria um indexador único, a unidade real de valor (URV).

 

1994 - Real

Após uma inflação de 3700% em 11 meses de existência do cruzeiro real, entra em vigor a Unidade Real de Valor (URV). Em julho, a URV, equivalendo a 2750 cruzeiros reais, passa a valer 1 real. Moeda que permanece até os dias atuais.

 

 

 

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NOÇÕES BÁSICAS RELATIVAS AO COLECIONISMO DE MOEDAS

 

 

 ANVERSO - É a parte da frente da moeda, onde existe normalmente o soberano, o valor e a data.

 

REVERSO – É a parte de trás da moeda, utilizado para completar o tema do anverso, onde normalmente estão os brasões, as armas ou os símbolos dos soberanos.

 

EIXO HORIZONTAL (EH) – Ou reverso “moeda”, é como foram cunhadas a maioria das moedas na sua ralação anverso/reverso, isto é: colocando-se o anverso da moeda voltado para cima, e fazendo uma rotação da moeda através de um eixo horizontal, o reverso também devera ficar virado para cima.

 

EIXO VERTICAL (EV) – Ou reverso “medalha”, é como foram cunhadas uma minoria das moedas modernas na sua relação anverso/reverso, isto é: colocando-se o anverso da moeda voltado para cima, e fazendo uma rotação da moeda através de um eixo vertical, o reverso também devera ficar voltado para cima. A relação anverso/reverso é semelhante a uma medalha, que, ao ficar pendurada pela sua parte superior, apresenta-se sempre virada para cima, seja qual for sua posição.

 

REVERSO INVERTIDO – É uma variante onde a relação anverso/reverso esta invertida em relação à moeda original. Explicando: se a moeda original for EH e a peça que V. estiver verificando for EV, então esse exemplar será a variante de reverso invertido. Por outro lado, se a moeda original for EV e a peça examinada for EH, então esse exemplar será a variante de reverso invertido.

 

REVERSO HORIZONTAL – Ao se girar a moeda por qualquer um dos dois eixos, seu reverso formará um ângulo aproximado de 90 graus com relação ao anverso.

 

REVERSO INCLINADO – Ao se girar a moeda por qualquer um dos eixos, seu reverso formará um ângulo inclinado com relação ao reverso. Para que uma moeda seja considerada de reverso inclinado, o ângulo de sua inclinação devera ser de no mínimo 30 graus.

 

LETRA MONETARIA – Indica a Casa da Moeda onde a peça foi cunhada. B (Bahia), R (Rio de Janeiro), P (Pernambuco), M (Minas Gerais), SP (São Paulo), G (Goiás) e C (Cuiabá).

 

COROA BAIXA – Nas moedas da Colônia a parte superior das perolas do 1º e 4º arcos ficam quase escondidas pelas perolas do 2º e 4º arcos, configurando uma figura mais baixa para a coroa.

 

COROA ALTA – Também nas moedas da Colônia, a parte superior das perolas do 1º e 4º arcos ficam bastante visíveis, formando com as perolas do 2º e 3º arcos uma figura semelhante a uma “mascara”.

 

 

 

 

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ESTADOS DE CONSERVAÇÃO DAS MOEDAS METALICAS

 

   Não existe, no colecionismo, nenhum assunto mais controverso do que a determinação do estado de conservação das moedas. Afinal, a circulação como instrumento monetário foi, e ainda é, o motivo principal da existência do meio circulante. O outro objetivo, secundário, mas com certeza o mais nobre, é sem duvida nenhuma sua preservação em uma coleção.

 

   A circulação impõe as moedas algumas marcas que, por menores que sejam, são perceptíveis para o colecionador atento. Nossa intenção é municia-lo com informações que vão ajudar a entender os padrões internacionais dos Estados de Conservação.

 

   Utilizando-se como instrumento uma lupa de aumento de 7 vezes e baseado nos padrões internacionais, os níveis de graduação aprovados e utilizados pela Sociedade Numismática Brasileira são os seguintes:

 

 

FLOR DE CUNHO – FC – Sem apresentar o menor sinal de desgaste ou manuseio, deve ter no campo o brilho original da cunhagem. Sua orla deve ser perfeitamente cilíndrica, sem apresentar mossas ou cerceamento. Todos os detalhes da cunhagem, mesmo os mais salientes, têm de apresentar sua aparência original. Não pode haver, sob nenhuma circunstancia sinais de limpeza física ou química na moeda.

 

SOBERBA – S – Deve apresentar aproximadamente 90% dos detalhes da cunhagem original. Deve ter no seu campo, algum brilho de cunhagem e sua orla admite uma pequena imperfeição (menos de 10%) da sua aparência original, proveniente de um pequeno desgaste, ou pequeno sinal de manuseio. Admitem-se sinais de uma limpeza, que não ocasione no seu campo, riscos ou manchas.

 

MUITO BEM CONSERVADA – MBC – Deve apresentar aproximadamente 70% dos detalhes da cunhagem original, porem seu nível de desgaste deve ser homogêneo. Sua orla admite uma media imperfeição (menos de 20%) da sua aparência original, proveniente de um desgaste médio, ou um médio sinal de manuseio, Admitem-se sinais de limpeza, mesmo que ocasione no seu campo, pequenos vestígios de riscos ou manchas. Seu aspecto geral deve ser agradável e de fácil identificação.

 

BEM CONSERVADA – BC – Os detalhes da cunhagem original devem aparecer em aproximadamente 50%, admitindo-se que alguns detalhes estejam mais aparentes em determinados setores da moeda do que em outros, principalmente nos detalhes altos da cunhagem, letras e números. A legenda e a data da moeda devem ser visíveis a olho nu, sem se recorrer à utilização da lente. A orla pode estar imperfeita em ate 30% da sua aparência original.

 

REGULAR – R – Deve apresentar um mínimo de 25% dos detalhes da cunhagem original, com distribuição irregular dos sinais de forte manuseio sobre o campo da moeda e sua orla. A legenda e a data da moeda devem ser observadas com auxilio de lente.

 

UM TANTO GASTA – UTG – Apresenta somente a silhueta da figura principal, e as letras da periferia, quando existirem, quase sendo engolidas pela orla desgastada. Não são colecionáveis a não ser em casos de moedas extremamente raras.

 

 

 

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Cédulas no Brasil

 

   Quando D. João VI chegou ao Brasil em 22 de janeiro de 1808, trazendo consigo toda Corte, foi necessário, para fazer frente aos crescentes custos de manutenção, aumentar a renda da coroa, sendo autorizado neste mesmo ano a criação do primeiro Banco do Brasil. As primeiras cédulas do novo banco, foram impressas com leiaute similar ao das Libras Inglesas e começaram a circular em 1810. Em 1829, devido ao grande descontrole de suas emissões, esse primeiro Banco do Brasil foi extinto.

 

   Com a fundação do Império do Brasil, e sua organização, foi criado o Tesouro Nacional para gerir as finanças e as riquezas do Estado. As primeiras cédulas emitidas pelo Tesouro Nacional foram para o recolhimento das moedas de cobre nas províncias do Império em 1833, sendo que em 1835 foi emitida a primeira família de cédulas próprias, criadas e impressas na Inglaterra.

 

   A partir de 1857, com a permissão do governo, bancos particulares passaram a dividir a tarefa de emitir cédulas com o Tesouro Nacional. Surgiram bancos em quase todas as províncias, sendo que alguns foram construídos, foram autorizados a emitir, chegaram a solicitar para tradicionais fornecedores a criação de cédulas, recebendo “amostras” e “specimens”, porém na verdade nunca chegaram a colocar suas cédulas em circulação.

 

   No final da Monarquia e início da República, aumentaram os interesses para a formação de novos bancos, que, via de regra, foram autorizados a emitir. A crise bancária de 1900 obrigou o governo republicano a criar o 4º Banco do Brasil, que vem a ser o Banco que continua existindo até os dias de hoje.

 

   No governo de Afonso Penna, em 1906, foi criada a Caixa de Conversão, com a finalidade de manter a estabilidade cambial, quando o mercado do café, então principal produto de exportação, estava em crise. Não logrando êxito, a Caixa de Conversão encerrou suas atividades em 1920.

 

   Mais uma vez o governo brasileiro autoriza o Banco do Brasil a emitir entre 1923 e 1931, tendo sido criada nessa época aquela que, talvez tenha sido a mais completa e segura família de cédulas, que pela sua moderna criação e confecção, praticamente não permitiu falsificações e adulterações.

 

   Em 1926, é criada a Caixa de Estabilização, com a finalidade de recolher o ouro em barra ou amoedado e possibilitar a conversibilidade de todo o papel moeda em circulação. A Caixa de Estabilização teve suas atividades encerradas em 1930.

 

   A reforma monetária pretendida pelo presidente Washington Luiz desde 1930, só se concretizou em 1942, quando foi criado o padrão Cruzeiro, cuja unidade valia Um Mil Réis. No momento dessa reforma, havia em circulação 56 tipos diferentes de cédulas, que perderam totalmente o valor em 1955. As cédulas do Cruzeiro, ainda criadas e impressas no exterior, porém concebidas as ilustrações estabelecidas em um concurso público, construíram o que de mais moderno e seguro poderia existir na época.

 

   Faro relevante, foi a criação do Banco Central do Brasil em 31 de dezembro de 1964, que em novembro de 1965, promovia nova reforma monetária criando o cruzeiro novo, cuja unidade valia Mil Cruzeiros. Durante o período de 1965 e 1970, foram utilizadas ainda cédulas do antigo padrão com carimbos indicando o seu novo valor.

 

   Com o reequipamento da Casa da Moeda, o Brasil conseguiu sua independência na criação e fabricação de cédulas, que já vinha sendo tentada desde 1920. A partir desse instante, as ilustrações e alegorias vêm sendo utilizadas de forma exclusiva para as cédulas brasileiras, ao contrário do que existia anteriormente, em que uma mesma alegoria era utilizada para cédulas de diversos países.

 

   Como se sabe, o dinheiro de um país, e particularmente as suas cédulas, são instrumentos muito eficientes de comunicação de massas, uma vez que todos os cidadãos, dos mais ricos aos mais pobres, têm acesso a elas. Retrata-se nelas, a história, a geografia, as artes, as ciências, a fauna, a flora, as paisagens, a etnia, os monumentos, o próprio povo e cultuam-se as personalidades e ocasiões importantes de uma nação. E com criatividade de nossos artistas, exercitada pelo período inflacionário que corroía nosso dinheiro, que fez com que nossa unidade monetária fosse alterada mais 5 vezes, a saber 1986 – Cruzado, 1988 – Cruzado Novo, 1990 – Cruzeiro, 1993 – Cruzeiro Real e finalmente em 1994 – Real, sempre com a criação de novas cédulas, é que conseguimos atingir os melhores padrões internacionais na concepção e produtos de cédulas.

 

   Com o novo maquinário adquirido pela Casa da Moeda do Brasil em 2010, foi finalmente lançada a 2ª família de cédulas do real, inicialmente as de valor 50 e 100 reais, com promessa de lançar as de 10 e 20 reais em 2011 e as de 2 e 5 reais em 2012.

 

   A melhoria de qualidade técnica e artística da 2ª família em relação à anterior, pode ser verificada por todos nós, usuários do dinheiro brasileiro, e principalmente pelos colecionadores. Alguns dos seus segredos ainda não foram totalmente desvendados, mas com o tempo e a persistência dos notafilístas brasileiros, logo estaremos a par de todos os seus particulares.

 

 

 

 

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COMPONENTES DE UMA CÉDULA

 

ANVERSO: é a parte da frente da cédula, onde se desenvolve o tema principal da comunicação visual e onde, normalmente, está escrito o nome da Autoridade Emissora, os valores em algarismos e por extenso e a numeração.

 

REVERSO: é a parte de trás da cédula, onde estão os elementos acessórios do tema principal, mantendo os valores por algarismos e por extenso.

 

ESTAMPA: é o conjunto de elementos que caracteriza e diferencia as emissões das cédulas umas das outras. Podemos considerar como elementos de diferenciação, o tema principal, o órgão emissor, a empresa impressora, etc. Nas cédulas antigas, a “estampa” vinha destacada. Já nas do padrão atual, o Real, a estampa está representada por uma letra, colocada antes da numeração.

 

SÉRIE: quase todas as cédulas brasileiras, desde o padrão “Mil Réis”, até o “Real”, dividem as séries em 100.00 cédulas. Nas cédulas mais antigas, a série estava determinada explicitamente e nas cédulas mais recentes, constitui a série, os quatro algarismos que estão logo à direita da letra da estampa.

 

NUMERAÇÃO: quase todas as cédulas brasileiras são numeradas, dentro de uma mesma série, de 000.001 à 100.000. Nas cédulas do “Real” da 1ª família, por exemplo, os últimos seis algarismos, à direita da série, indicam o número e individualizam, dessa forma, a cédula.

 

AUTOGRAFO: durante muito tempo, desde o padrão “Mil Rés” e até o início do “Cruzeiro”, todas as cédulas que entrariam em circulação eram autografadas por funcionários da Caixa de Amortização. Normalmente feita por canetas tinteiro, eram empilhadas logo após a assinatura, sendo dessa forma, possível encontrar, diversas cédulas desse período, com a marca da assinatura da cédula anterior no seu reverso. Essa prática foi abolida em 1953.

 

CHANCELA:em algumas cédulas do padrão “Mil Réis”, notadamente nas do Quatro Banco do Brasil, ao invés de autógrafos, foram elaboradas chancelas das autoridades da Caixa de Amortização, que eram impressas, em tamanho natural no anverso da cédula.

 

MICRO-CHANCELAS: a partir de 1954, as cédulas passaram a conter em seu anverso, as assinaturas impressas, em tamanho reduzido, do “Ministério da Fazenda” e do “Diretor de Caixa de Armotização”. Com a criação do Banco Central, a micro-chancela do “Diretor da Caixa de Amortização”, foi substituída pela do “Presidente do Banco Central”. “Em 1970, com a concepção da primeira família de cédulas do Cruzeiro pela Casa da Moeda, a micro-chancela do “Ministro da Fazenda”, foi substituída pela do” Presidente do Conselho Monetário Nacional”, que, na prática, era o próprio “ Ministro da Fazenda”. “Em 1989, nova mudança, voltando a figurar o “Ministro da Fazenda”, que foi novamente alterado no ano seguinte, para “Ministro da Economia, Fazenda e Planejamento”, voltando em 1993 a” Ministro da Fazenda”, que permaneceu até hoje. Esse é um forte elemento para a classificação das cédulas.

 

CARIMBO: normalmente nas mudanças de padrão monetário, são colocados carimbos nas cédulas já impressas do antigo padrão, para acabar com o estoque das cédulas já emitidas e para acostumar, aos poucos, a população com a mudança de padrão. Na mudança das cédulas do “Mil Rés” para o “Cruzeiro”, por exemplo, os carimbos eram azuis, na forma de rosácea.

 

DIMENSÕES BASICAS: O tamanho físico das cédulas brasileiras, que variam de 120 à 220 mm de comprimento, constitui um fator importante na hora da classificação e na percepção do cerceamento.

 

FILIGRNA ou MARCA D’ÁGUA: Efeito conseguido com a variação da espessura do papel no processo de sua fabricação. As partes mais espessas parecem mais escuras e as menos espessas mais claras, representando um desenho ou uma figura que só poderá ser vista ao ser observada a cédula contra a luz. Nas cédulas atuais de papel do padrão Real, a filigrana é representada por uma bandeira nas cédulas de 1,5 e 10 reais e, a esfinge da republica nas de 50 e 100 reais. Não é incomum encontrar-se cédulas falsas do padrão “Mil Réis”, cuja filigrana falsa foi obtida aplicando-se acido para corroer o papel, dando efeito de claro/escuro, porém, as figuras obtidas nesse processo, são disformes e diferentes das originais.

 

FITA DE SEGURANÇA: É uma fita metálica ou plástica, inserida no processo de fabricação do papel, normalmente na posição vertical, muitas vezes magnetizada, para leitura por equipamento eletrônico de seleção e contagem, e com micro inscrições que só podem ser vistas com auxilio de uma lente.

 

FIBRAS COLORIDAS: São filetes coloridos, de seda ou outras fibras, com posição aleatória, também conseguida no processo de fabricação do papel.

 

CONFETES: A exemplo das fibras coloridas são colocados pequenos pedaços de papel, de cores diferentes das originais, incorporados a massa do papel, no processo de fabricação.

 

IMPRESSÃO EM ALTO RELEVO: Quase todas as cédulas modernas brasileiras, passam por uma fase de impressão calcográfica, obtidas através de chapas metálicas gravadas, que são sensíveis ao tato, principalmente nas figuras centrais, no nome do Emissor e nos numerais de valor.

 

MICRO-IMPRESSÕES: No fundo das cédulas, normalmente impresso pelo processo “off-set”, encontram-se micro impressões que, em principio parecem linhas contínuas, porém, são visíveis com o auxilio de um a lente.

 

FUNDO DE SEGURANÇA: Formado por linhas multidirecionais, compõem e dão colorido ao fundo da cédula, dificultando a falsificação pelos processos de scanner ou copiadora colorida, que, não conseguindo copiar fielmente o fundo, apresentam a sua imagem borrada e sem muita definição.

 

REGISTROS COINCIDENTES: Nas cédulas modernas, existe sempre um desenho no anverso, com o correspondente complemento no reverso, de forma que, quando observadas contra a luz, os desenhos se encaixam perfeitamente. Isto só é possível por que o anverso e reverso da cédula são impressos simultaneamente. Nas cédulas do “Real”, o registro coincidente esta nas Armas da Republica, á direita do anverso.

 

IMAGEM LATENTE: São figuras que só aparecem se observadas com a nota deitada na altura dos olhos e sob luz abundante. Nas cédulas do “Real” (papel) ou Dez Reais (plástico).

 

IMPRESSÃO INVISIVEL: Elemento impossível de ser observado com o padrão normal de iluminação, torna-se visível sob luz ultravioleta. Na cédula de 10 reais plástica, é visível nessa condição, o numeral “10”, sobre o mapa “Terra Brasilis”.

 

JANELA TRANSPARENTE: Com a possibilidade de impressão das cédulas sobre base de polímeros plásticos, os elementos de segurança formam muito reforçados com a inclusão de áreas completamente transparentes nas cédulas, dificultando ao máximo sua falsificação.

 

 

 

 

ESTADOS DE CONSERVAÇÃO DAS CÉDULAS

 

FLOR DE ESTAMPA – FE – Uma cédula perfeitamente preservada. O papel é limpo, firme e sem descoloração. Os cantos são agudos e no esquadro. Não há vestígios de dobras ou marcas de manuseio e descuido. Equivale ao “Uncirculated” (UNC).

 

SOBERBA – S – Uma cédula com pequenos sinais de manuseio. Pode ter no maximo três pequenas marcas ou sinais de dobra. O papel é limpo e firme com o brilho original. Os cantos podem apresentar pequenos sinais de uso. Equivale ao “Extremely Fine” (EF).

 

MUITO BEM CONSERVADA – MBC – Uma cédula com alguns sinais de manuseio e uso. Podem ter diversas marcas de dobra verticais e horizontais. O papel pode ter um mínimo de sujeira e manchas na cor, mantendo relativa rigidez. Não deve ter cortes ou rasgos na margem, embora possa mostrar sinais de uso. Os cantos também podem mostrar sinais de circulação, porém não devem ser totalmente arredondados. Equivale ao “Very Fine” (VF).

 

BEM CONSERVADA – BC – Uma cédula consideravelmente circulada, com muitas dobras e rugas. O papel pode estar amolecido e as margens podem apresentar pequenas faltas decorrentes do uso, porém não se admite rasgos nas dobras centrais devido ao excesso de uso. As cores são visíveis porem não brilhantes. Furos de grampeador podem ser tolerados. Equivale ao “Fine” (F).

 

REGULAR – R – Uma cédula muito pesadamente manipulada, com danos normais devido a prolongada circulação. Podem incluir muitas dobras, rasgos, manchas, furos, inscrições, cantos arredondados e uma aparência geral não muito atrativa. Não devem ter grandes rasgos e a maior parte da nota deve ser identificada. Equivalente ao “Good” (G).

 

UM TANTO GASTA – UTG – Uma cédula totalmente flácida, muito pesadamente e mal utiliza. Com grandes rasgos ou pedaços faltantes, além de dobras, rasgos, manchas, furos e cantos perdidos. Não devem ser colecionadas, a não ser no caso de peças muito raras. Equivale ao “POOR” (P).

 

Estados de Conservação Intermediários – São admitidos estados de conservação intermediários, que possam caracterizar com clareza a verdadeira conservação da cédula, para exemplificar, veja a tabela a seguir:

 

 

 

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   O Banco Moeda e a Schindler Numismática tem a satisfação de agradecer a todos que direta ou indiretamente contribuíram para o desenvolvimento desse tema e em especial aos numismatas: Cláudio Patrick Amato, Irlei Soares das Neves, Claudio Angelini, Rodrigo Maldonado, Cleber Coimbra, Denis Renaux, Eduardo Rezende e Edgard Campos Silva.